quinta-feira, 23 de junho de 2011

Narayana-smaranas para os seguidores da ISKCON

Sri Krishna Matha – UDUPI
Sua Santidade Sri Vishvesha Tirna Swammi ji
Paryaya Sri Pejawara Adhishaja Matha
Jagadguru Sri Madhavacharya Samsthana
UDUPI – 576 101, Karnataka

Narayana-samaranas para os seguidores da ISKCON

Nós estamos muitos penosos de saber que vocês têm a responsabilidade de propagação pública, de maneira imaginária, falsificado incidentes tais como a história de Gouranga, etc., a qual desonrará a honrada personalidade de Jagad-Guru Sri Madhavacharya. Isso tem provocado o sofrimento entre os devotos de Sri Madhava. Nós sentimos que tal prática inadequada talvez cause crises no harmonioso relacionamento entre os seguidores de Madhava e a ISKCON. Portanto, nós aconselhamos veementemente para que retirem as citações de tal matérias sem base, e a garantia que não irão mais continuar no futuro.

Ithi Narayana Smaranas

Sri Vishwesha Tritha Swamiji

Uma análise do Movimento Ritvik dentro da ISKCON

Uma análise do Movimento Ritvik 
dentro da ISKCON
Por

Radhapada Das

Nitai’s Bhajan Kutir





Sri Krishna Caitanya Bharati (Mahaprabhu) entre Seus Associados íntimos e irmãos Sannyasis Sankarites

Introdução do Tema
Ritviks se refere a um grupo devotos dentro da seita da ISKCON, a qual é uma seita dentro da religião Vaisnava. Eles são um grupo dissidente que estão insatisfeitos com os resultados da organização religiosa da ISKCON, em particular, com os resultados da perda dos seus membros, associado com as atividades escandalosas dos “gurus iniciadores”, “mestres religiosos” e “guia espiritual” deles, que iniciam seguidores dentro da seita e, em muitos casos, suas vidas materiais. A organização recrutou alguns milhares de membros dentro da seita desde sua fundação, em 1966, por Abhay Caranaravinda Bhaktivedanta Swami. No entanto, um grande número deles deixou a seita; muitos como resultado dos “gurus” da organização terem saído por si mesmos, deixando seus seguidores “juntando as peças” depois de terem doados seus corações, vidas e posses materiais para eles, desde a morte de Bhaktivedanta Swami. Muitos dos tais “gurus” abandonaram a seita num escândalo, deixando profundas cicatrizes em seus membros desiludidos. Como resultado, muitos dos membros sobreviventes têm recorrido à crescente visão sectária do ritvik.

Justificativa
Ritviks creem ser uma “reação” para o que os membros percebem ser uma lenta deteriorização da religião fundada por Bhativedanta Swami, causada pelo fracasso dos “gurus iniciadores” da sua posição, comumente conhecido como “queda”. A perspectiva Ritvik é de que Bhaktivedanta Swami não autorizou onze de seus seniores discípulos para tomarem a posição de gurus, após a sua morte, agindo contrariamente a uma carta que fora escrita e apresentada aos membros da ISKCON após a sua morte. Os ritviks dizem que a verdadeira intenção de Bhaktivedanta Swami fora de apontar aqueles onze discípulos para realizar os ritos de iniciação para os novos ingressantes, os quais seriam discípulos diretos de Bhaktivedanta Swami, e não discípulos do ritvik, o sacerdote oficial e realizador da cerimônia. O termo original “ritvik” encontra-se dentro dos Vedas, a respeito de um tipo de sacerdote envolvido nas cerimônias sacrificiais, as quais oficializa e conduz em nome do responsável, benfeitor ou outro quem está se beneficiando dos resultados do sacrifício. Melhor, são aqueles sacrifícios feitos fora do campo do serviço devocional puro (bhakti), mas que ocupam, de certa forma, a intenção de aquisições materiais e prosperidade (karma-kanda). A ISKCON, certamente, tenta demonstrar sua aderência às práticas védicas em promover-se tanto no mundo Ocidental como no indiano. Isso é particularmente devido à regra de alcançar aceitação mundial; reconhecimento como sendo uma religião genuína, como uma espécie de oposição de ser considerada uma seita ou um culto[1], sendo esta última, a forma como é vista por muitos ocidentais. O ceticismo público posiciona-se como um desafio para ISKCON, quando em países anfitriões do mundo Ocidental de sociedade judaico-cristã. O conceito de total rendição a uma pessoa humana, que atua como guru, é inteiramente estranho, e aparece como “cultismo” (alienação) para as pessoas do Ocidente. Como um paralelo religioso, este conceito é também difícil de ser engolido para os membros da fé cristã, que se desligaram para a “forma de igrejas Protestantes”, no que diz respeito a sacerdotes, bispos e papa da Igreja Católica Romana. O termo “ritvik” tem agora se tornado um meio de alguém crer que os “gurus” da ISKCON erroneamente clamam discípulos para si próprios, e que apenas Bhaktivedanta Swami está qualificado e autorizado para aceitar discípulos. De acordo com esta visão, o processo pelo qual Bhaktivedanta Swami deveria aceitar discípulos após a sua morte é através da cerimônia de iniciação conduzida por um ritvik . Este sistema está predito pelos ritviks para os últimos dez mil anos.

Argumentos e artifícios
Os ritviks tentam apresentar o caso deles, fazendo lembrar os membros da ISKCON da falibilidade humana dos gurus da ISKCON: daqueles que têm caído, e daqueles que apesar de manterem o status, mas que vivem de forma arrogante e extravagante como “renunciantes” ou “sannyasis”. Os ritvik sempre reascendem histórias sobre corrupção nos gurus da ISKCON, cada vez adicionando um sensacionalismo extra. O número de gurus caídos é de fato um tanto exagerado, algo em torno de 20, se não mais, dentro de 27 anos de sua única história. O mecanismo empregado pelos ritviks é expondo a escandalosa vida dos gurus da ISKCON parte dentro de literatura e websites, semelhante às revistas de “fofoca de Hollywood”. Por estes meios, eles esperam contrastar um guru mortal da ISKCON com o que Bhaktivedanta Swami, quem eles reverenciam como alguém que é perfeitamente puro, cheio de conhecimento, infalível e perfeito em todos os aspectos. Eles acreditam que um devoto da ISKCON não está autorizado a se tornar guru e, se tentar, uma tragédia o aguardará. A longa lista de gurus caídos prova o ponto de afirmação deles, como um “escrito bíblico num muro”. A queda de nove dos onze gurus originais, bem como a trágica morte de Tamal Krsna Goswami, quem sabe o guru mais odiado pelos ritviks, tem aumentado as suas convicções. Ao lado desta noção está uma deificação retórica de Bhaktivedanta Swami, cujo status se tornou um fenômeno isolado. Como um sintoma de uma seita, os membros ritviks creem que eles são os verdadeiros seguidores de Bhaktivedanta Swami. Eles se sentem abençoados por Bhaktivedanta Swami, e convencem que os outros estão desviados de sua graça, pelo fato de seguirem os gurus da ISKCON e do GBC; a administração global da ISKCON é quem mantêm o presente sistema, envolvendo a eleição e aprovação de novos gurus. Consequentemente, os ritviks estão em contenda com os gurus da ISKCON e seus seguidores.

Problemas futuros
Um problema óbvio com o sistema de ritvik é como eles se sairão daqui a uma centena de anos no futuro, quando seus membros estarão ainda iniciando em nome de Bhaktivedanta Swami. Segundo eles, no entanto, a sua presença física não é o caso. Também, segundo a crença deles, ele está presente no seu “vani” ou suas instruções, bem como na estátua do templo. Não obstante, como bem trabalharão com Bhaktivedanta Swami, como um ícone mitológico nas mentes dos seus seguidores, em centenas ou milhares de anos que se seguirão, permanece para ser visto. Em problemática equivalente está o sistema de eleição de gurus do GBC ISKCON. O GBC elege um guru do qual os membros podem pedir iniciação na religião, através dele, tornando-se seus discípulos. Desafortunadamente, é um sistema defeituoso, uma vez que muitos que são escolhidos daquela forma não passam no “teste” depois de um tempo. O raciocínio que está por detrás deste sistema de controle, tem em vista, como uma medida, tentar proteger os membros da instituição de gurus desqualificados. O GBC determina quem está apto ou não apto para iniciar. Em teoria, isso soa pragmático, mas é falho, uma vez que muitos deles não mantêm suas regras eficientemente, e voltam a cometer danos irreversivelmente, para milhares de membros em poucos anos. Consequentemente, a ISKCON encontra-se numa praga, se faz ou não faz esta situação.

Gaudiya e ritviks
Em algum momento na historia da religião Gaudiya Vaisnava ocorreu um sistema de guru ritvik? Observa-se, apesar de qualquer apresentação sobre este tema, que os ritviks falham em fornecer alguma documentação ou registro biográfico baseado em literatura autorizada para sustentar o que eles afirmam. O que eles consideram “autorizado” são alguns remendos juntados em citações de Bhaktivedanta Swami, de outros assuntos não conectados com a questão. No todo, as citações de Bhaktivedanta Swami podem ser autorizadas para os Vaisnavas da ISKCON, mas não para toda a Gaudiya Vaisnava Sampradaya, como nós iremos discutir mais adiante. Quem sabe, é por esta razão porque eles evitam de consultar quaisquer escrituras sobre Bhakti escritas pelos Acaryas, ou a visão interna como outros Gaudiya Vaisnavas conduzem a matéria referente a guru/discípulo. As escrituras de Bhakti são, primariamente: o antigo Srimad Bhagavata, o enorme montante da literatura escrita pelos seis Goswamis; Krsnadas Kaviraja Goswami, Narottama Das Thakur, Visvanatha Cakravarti thakur, e Baladeva Vidyabhusana.

Árvore discipular
Como é demonstrado através de descrição de grandes santos Vaisnavas, e da literatura que Eles produziram ao longo dos últimos quinhentos anos, tradicionalmente, a Gaudiya Vaisnava mantém estritamente o sistema de guru pranali, que é: reverência e adoração da linhagem discipular de diksa gurus. O guru é quem inicia um discípulo na tradição, e concede ao discípulo o sagrado e secreto mantra, colar de Tulasi, Deidades, Tilak da Sampradaya, o maha mantra e o nome do sadhaka. Junto com estes itens sagrados, o guru revela sua linhagem espiritual (parampara), para o discípulo, o qual se torna membro eterno para a família para a qual o discípulo ingressou na sucessão. As várias linhas de sucessão discipular são chamadas de “parivars”. Alguns ramos proeminentes da árvore de Sri Caitanya são a Nityananda Parivar, Advaita Parivar, Gadadhara Parivar e Narottma Das Thakur Parivar. Krsnadas Kaviraja Goswami descreve no Caitanya Caritamrita vários ramos na árvore de Sri Caitanya. Narottma Das Thakur escreveu no Prarthana, que os devotos associados, que desceram junto com o Senhor Gauranga, para auxiliá-lO nos Seus passatempos, cinco séculos atrás, são nitya siddha, companheiros eternos. Kavikarnapur, um grande recebedor da misericórdia do Senhor Gauranga, compôs um livro chamado : “Um lampejo ente os Associados de Gaura”, o qual revela as identidades dos associados do Senhor Gauranga nas suas funções de companhias eternas de Krsna nos passatempos eternos de Vrindavana. Krsnadas Kaviraja escreve no Caitanya Caritamrita, que os companheiros eternos do Senhor Gauranga ajudam-nO na distribuição do amor transcendental por Krsna. Alguns deles iniciaram linhagem discipular e familiar, favorecendo esta propagação para futuras gerações de almas, na atual era. Hoje, a tradição da Gaudiya Vaisnava permanece uma vibrante e próspera cultura religiosa com centros em Navadwipa, Jagannatha Puri, Vrindavana, Radha Kunda, arredores da montanha de Govardhana, e outras regiões sagradas por todo Vraja (Índia). As conclusões a respeito de como o desejo por bhakti (bhaktii lata bija – semente de devoção) aparecem dentro do coração de uma alma comum neste mundo material é devido à graça de um Vaisnava, seja nesta vida ou na vida passada. É dito que o propósito da peregrinação não é meramente para tomar banhos sagrados, mas encontrar-se com estes santos. Não há melhor lugar para alguém obter a misericórdia dos devotos do Senhor do que em locais sagrados.

Tradição Gaudiya
O guru póstumo não é um processo eleito dentro da tradição Gaudiya Vaisnava. Os aspirantes pela vida devocional pedem aos Vaisnavas para se tornarem discípulos e receber diksa , iniciação. Não há um comitê que decide quem está ou não qualificado. Isso até é uma discrição individual, para verificar quem está adequado para ser guru. Portanto, é comum para os aspirantes de Bhakti pedir o conselho para outros Vaisnavas, dentro uma comunidade onde está uma boa categoria de Vaisnavas qualificados para aceitar estudantes. Quando um candidato e o esperado guru se encontram, eles estudam um ao outro. Os gurus examinam o aspirante seriamente, e o nível de entendimento de bhakti através das perguntas e da compreensão. Essa é, igualmente, a obrigação do aspirante, em também observar as qualidades, o comprometimento espiritual de adoração, e o conhecimento do guru, antes de tomar uma decisão e pedir iniciação.
Aquele quem recebe a iniciação na tradição se torna o discípulo de alguém que dá iniciação. E este se torna seu diksa guru, ou mantra guru. Embora ocorra o que é chamado de siksa guru ou guru instrutor, o relacionamento primário é com o diksa guru. Aquele quem aceita a iniciação de seu diksa guru e então o rejeita, pedindo conselho a outro Vaisnava, incorre na terceira ofensa no canto dos Santos Nomes. Se o sistema de ritvik fosse algo seguido tradicionalmente na Gaudiya Vaisnava, então pensem quantos discípulos haveria nos dias atuais do Senhor Caitanya, Senhor Nityananda, Rupa Goswami ou Narottama Dhas Thakur? Por que tornar-se discípulo de Bhaktivedanta Swami, quando alguém pode ser discípulo de Deus em pessoa, ou de um dos Seus eternos companheiros? Não parece ser paradoxal que alguém torne-se discípulo de Bhaktivedatna Swami, centenas de anos após sua morte e não de Sri Caitanya ou Rupa Goswami?

Acarya
A palavra “acarya” [2] significa: “aquele quem ensina pelo exemplo”. Ela também serve para nomear alguém que surge como autoridade ou cabeça de uma Sampradaya. Acaryas; via de regra, refere-se às elevadas almas Vaisnavas de “elevada posição”[3], demonstradas em suas intensidades de adoração, profunda e clara explanação dos assuntos sobre Bhakti, e manifestação de experiências místicas como um resultado de profundo amor por Krsna. Especificamente com respeito à tradição de Sri Caitanya, “acarya” se refere aos devotos eminentes como os seis Goswamis, que foram emissários de Mahaprabhu, propagando Seus ensinamentos. Os ritviks dizem que gurus qualificados são raros dentro deste mundo, e que a mais recente manifestação fora de Bhaktivedanta Swami. Realmente foi Bhaktivedanta Swami um acarya excepcional na Gaudiya Vaisnava Sampradaya? Viajando ao redor do mundo, estabelecendo centenas de templos; dando iniciação para alguns milhares de membros; estabelecendo a publicação de livros em organizações como (BBT), traduzindo a literatura Bhakti – todos estes acompanhamentos ou feitos são provas de um auto-efulgente acarya?[4] Unanimemente na ISKCON todos concordam. Seus membros todos deliram que Bhaktivedanta Swami estava num estado espiritual que ultrapassava os acaryas anteriores, devido ao seu trabalho de pregação no mundo ocidental, feito pela ISKCON.

Pandita – erudição de um Acarya
Muitos seguidores atribuem a Bhaktivedanta Swami como sendo um grande acadêmico dos escritos Bhakti. Ele foi? Acadêmico, nos dias de hoje, se refere a alguém com um título como PhD, pesquisador e experiente em um assunto, quem recebeu seu título de uma instituição creditada. Mesmo na Índia, muitos Panditas instruídos adquirem graus em universidades e instituições creditadas, através de um intenso estudo do Sânscrito e pesquisa. Na Gaudiya Vaishnava, estudiosos gastam muitos anos de estudos nos trabalhos em sânscrito de Jiva Goswami, tal como os Sandarbhas, os quais são cânones da filosofia e teologia específica em consideração aos ensinamentos de Sri Caitanaya; o antigo Bhagavata Purana, com muitos comentários de Acaryas proeminentes; os trabalhos de Rupa Goswami, Visvanath Cakravarti Thakur, etc. de qualquer forma, de acordo com a sua biografia, Bhaktivedanta Swami não concluiu sua graduação em Química, o que nem sequer estava próximo de estudos religiosos. Não há registro de seus estudos em Sânscrito na profundidade, nem tampouco através do estudo das escrituras sobre Bhakti, como é o caso de muito Acaryas proeminentes, que passam muitos anos com um mestre que os leva através de todos os assuntos das escrituras de Bhakti. Ele passou uma grande parte de sua vida com um homem de família, com a paternidade de cinco filhos, enquanto trabalhava com negócios farmacêuticos, para os quais costumava viajar grandes distâncias com propósitos de negócios. Apesar de seu pai ter feito arranjos para uma iniciação para ele, na idade de 12 anos, de acordo com sua biografia, ele não tomou isso muito seriamente, e em vez disso, perseguia propósitos políticos na sua juventude (na época, Mahatma Gandhi estava liderando um grupo pró-liberdade da Índia do governo inglês). As suas traduções dos livros da sua BBT, como um sannyasi, foram feitas de edições em Bengali, e a sua tradução do Bhagavad-gita é notavelmente um plágio feito da edição da Gita Press. Apesar de seus esforços, suas traduções contêm muitos erros, mesmo o Caitanya Caritamrita, o qual ele traduziu do Bengali. Evidentemente, ele não tinha sempre uma clara compreensão de muitos ensinamentos tradicionais da Gaudiya Vaisnava, como está evidente em seus comentários conhecidos como “significados Bhaktivedanta”. Muitas contradições podem ser encontradas através de seus comentários, tornando-se um playground de debates especulativos entre os seguidores da ISKCON. Em muitos locais, por todas as partes, seus escritos e aulas são ensinamentos contraditórios aos ensinamentos dos Acarya Goswamis. Algumas vezes, ele costumava usar os comentários como uma plataforma para gabar-se dos seus feitos, lançando difamações e acusações contra Vaisnavas e Brahmanas, bem como propiciando um prato cheio de pancadas nas mulheres, uma prática aética entre os santos. Vendo objetivamente, através dos volumes dos livros que ele publicou, Bhaktivedanta Swami falha num mínimo de efetividade e erudição, diante dos ensinamentos de Sri Caitanya como um Acarya. Pode um Acarya levar efetivamente o mundo da comunidade Vaisnava se pessoalmente não é claro, ou mesmo mal-interpreta os ensinamentos de Sri Caitanya? O fato é que, depois de sua morte, há uma grande desorientação entre seus seguidores, num sistema de guru o qual não dá muitas credenciais para Bhaktivedanta Swami como um grande educador.

Guru Parampara
Está Bhaktivedanta Swami conectado ao Parampara, uma tradicional linhagem espiritual de Diksa Gurus? Apesar de ele ter mostrado um grande carisma, a habilidade para inspirar seguidores para abandonar riquezas, e perseguição de “felicidade material” no canto dos santos nomes de Deus zelosamente, Bhaktivedanta Swami não está conectado com um Parampara, um dos três ramos da Gaudiya Vaisnava Sampradaya. A ISKCON e a sua seita religiosa mãe, Gaudiya Math, estão conectadas com a linhagem de Bimal Prasad, o filho de Bhaktivinoda Thakur, autodenominado Bhaktisiddhanta Saraswati. Ele teve a sua iniciação rejeitada por Gaura Kishora Das Baba, um grande asceta Vaisnava do séc. XIX-XX. Em vez que procurar iniciação de outro Guru Vaisnava, ele seguiu estudando por conta própria e montou seu próprio nome Vaisnava, instituindo práticas e conceitos contrários aos tradicionais ensinamentos a tradição de Sri Caitanya. Isso talvez explique as esquisitices encontradas dentro desta seita Vaisnava, em comparação com o restante da tradição. A lista de Gurus sucessores, encontradas nos locais da ISKCON e Gaudiya Math é falsa[5]. Como poderia Narottama Das Thakur dar iniciação para Visvanath Cakravarti Thakur, se aquele já havia morrido antes deste nascer? O mesmo é o caso de Visvanath Cakravarti e Jagannatha Das Baba; eles jamais se encontraram, tendo um hiato de quinze anos entre a morte de um e o nascimento de outro. A Gaudiya Math entrou em colapso depois da morte de Bhaktisiddhanta, devido à divulgação da quebra da ligação entre Bhaktisiddhanta e o a tradição Sri Caitanya. Bhaktivedanta Swami apresentou para seus seguidores uma história deformada, de que o evento não coincide com a visão e percepção do que de fato ocorreu, de acordo com aqueles que estiveram ali. Na verdade, a Gaudiya Math quebrou porque Ananta Vasudeva, quem era a cabeça sucessora do Math, descobriu que Bhaktisiddhanta não havia recebido os ritos de iniciação de Gaura Kishor Das Baba. Logo, não há Parampara na Gaudiya Math, nem tampouco na ISKCON. Bhakti é transferido de um Vaisnava para um candidato ao serviço devocional, através de um ritual sagrado. A transmissão de mantras sagrados e autorizados, uma necessidade para avanço no caminho de Bhakti está no coração do ritual. Sem ele, não há ingresso autorizado no caminho da devocional. Após Anata Vasudeva ter descoberto esta fraude de Bhaktisiddhanta ele avisou os demais seguidores e irmãos da seita, para então procurarem autênticos Gurus Vaisnavas , que poderiam dar a eles uma iniciação autêntica, e ensinar-lhes o caminho de Bhakti, de acordo com os ensinamentos de Sri Caitanya e os seis Goswamis. Conseqüentemente, ele abandonou a organização, o que ocasionou um grande caos para muitos ali. Aqueles que eram seguidores sinceros viajaram para Vrindavana, para então se encontrar com homens santos, que estavam engajados em serviço devocional. Eles tomaram abrigo aos Seus pés, aceitando iniciação genuína no caminho da devoção. Os que estavam interessados em dinheiro e poder ficaram nos maths (templos), engajando-se em disputas civis legais para ganhar o controle das propriedades e posses. Bhaktivedanta Swami não viveu na Gaudiya Math quando estes fatos aconteceram, mas apesar de tudo, ele era conhecedor das controvérsias em torno das coisas da sucessão discipular e o misterioso Bhaktisiddhanta, como ficou evidente na sua resposta, quando estes fatos foram levados até ele.

Oposição ritvik
Os ritviks descrevem uma visão diferente neste “capítulo”, um que Bhaktivedanta Swami apresentou, o qual auxilia a causa deles. Eles crêem que os discípulos de Bhaktisiddhanta desobedeceram às ordens de Bhaktisiddhanta, pelo fato de os seus membros terem elegido um guru sucessor depois da morte dele, o qual resultou na queda da organização e do guru. Eles chamam isso de “a origem da guru farsa”. No entanto, Ananta Vasudeva, aparece como ter sido escolhido a dedo pessoalmente por Bhaktisiddhanta. Isso é uma tradição na Gaudiya Math, e está em voga hoje, escolher um sucessor anterior para conduzir à morte do guru. Mas Ananta Vasudeva deixou a Gaudiya Math e assim fizeram muitos outros; muitos receberam a iniciação emoldurada por santos Vaisnavas do Radha Kunda e Vrindavana. A tumba de Ananta Vasudeva mantém-se hoje no Radha Kunda. Outros que deixaram a Gaudiya Math, para serem iniciados pelos santos, realizaram serviço devocional em Vraja, onde viveram até recentemente; afortunadamente, eles viveram para nos contar a história deles. Krsna Das Madrasi Baba, Madana Moham Das Baba (quiçá ainda viva), e o Dr. L. B. O. Kapoor, todos anteriormente membros da Gaudiya Math, foram algumas das grandes almas que nós tivemos o prazer de encontrar e que pessoalmente viram e testemunharam estes eventos. Jai Nitia Das Baba, um grande santo que viveu por 114 anos, conheceu Goura Kishora Das Babaji, e confirmou que Bhaktisiddhanta não fora iniciado como discípulo de Goura Kishora. Lalit Prasad, o filho mais jovem de Bhaktivinoda e irmão de Bimala Prasad (Bhaktisiddhanta), também disse a mesma coisa. Isso, contudo, aparece entre os ritviks como sendo a verdadeira “origem da guru farsa”, que alguém retratou pelo fundador da Gaudiya Math, Bhaktisiddhanta.

Queda de “gurus
Enquanto um grande número de “gurus” têm deixado a IKSCON, e muitos envolvidos em grandes escândalos, isso não se trata de uma prova de que um sistema de guru ritvik é o que deverá ou não estabelecer-se no lugar. A matéria é especialmente sintomática de um problema mais profundo, isso é, não há uma conexão com um diksa guru na linhagem discipular, não tendo acesso ou conexão com Gaudiyas Vaisnavas da tradição, e uma deficiência do tradicional entendimento dos ensinamentos de Sri Caitanya, tal qual é propagado pelos seis Goswamis. Com o surgimento de já outro movimento dentro da ISKCON, que advoga workshops na comunidade, conduzidos por profissionais da “saúde mental”, a ISKCON irá continuar a ser levada adiante em suas raízes incompletas. A seita continuará com reviravoltas sobre seus membros, enquanto alguns irão optar por explorar alternativas para a religião da ISKCON.

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[1] Nos Estados Unidos da América “cult”, traduzido literalmente para o Português como “culto”, possui uma conotação de “fanatismo”, “segregacionismo”, “alienação”, etc., muito se equiparando a “racismo” ou outro tipo de discriminação e ou alienação qualquer. Veja-se mais sobre o tema em http://en.wikipedia.org/wiki/Cult. Nota do tradutor. 
[2] Conf., escrita sânscrita.
[3] “elevada estatura” no sentido de expressiva posição dentro da Filosofia Vaisnava.
[4] No sentido de “brilhará e surgirá por si mesmo, de forma espontânea”, mas devidamente qualificado e aceito por todos os Vaisnavas e autoridades Vaisnavas.
[5] É comum em muitos centros da seita colocar por sobre o altar uma sucessão de fotos ou desenhos as quais mostram as pessoas referidas no texto.

Algumas reflexões sobre iniciação


Algumas reflexões sobre iniciação

Artigo de: Revista Digital - Nitai 1 - reedição

“Some reflections on Initiation”

por

Neal Delmonico (Nitai Das)

Junho, 13, 2005
Tradução e notas de




Brasil, 2009-2011



Nota introdutória: Esta é uma edição revisada e corrigida do primeiro volume de Nitai-zine (Revista Nitai on-line). Minha recordação encontrava-se imperfeita quando eu escrevi este texto pela primeira vez. Depois de tudo, muitos anos têm passado desde os eventos nela descritos. Como eu pensei mais sobre aqueles eventos, eu encontrei neles um começo para reaparecer com novos detalhes. Esperançosamente, muitas de minhas idéias e lembranças incorretas foram corrigidas nesta versão. Eu também estava tentando conhecer com perfeição os eventos da grande admissão de Sarawati antes de Pandita Ramakrsna Das Baba, de que ele não tinha, de fato, recebido iniciação de Gaurakisora Das Baba, para um mais específico tempo e local. Aqueles detalhes foram adicionados e considerados nesta versão. Nitai Das


Sobre “sucessão” ou Parampara
Recentemente, entre os muitos outros projetos que tenho iniciado e não terminado, eu estava trabalhando no texto “Krsna-bhavanamrita” de Visvanatha Cakravartin, um deleitoso poema incorporando a prática Smarana ou visualização de Raganuga-bhakti. O primeiro verso do texto contém a palavra, “parampara”, a qual, entre outras coisas, pode ser traduzida como “sucessão discipular”. O verso, na tradução que fiz, é lido como segue:

“Eu me rendo à nuvem de chuva Krsna Caitanya, quem instantaneamente destrói a escuridão do mundo e refresca o mundo todo através de ininterrupta sucessão de chuva da Sua beleza, como a beleza de milhões de deuses do amor”.

É uma bela imagem. Caitanya é como uma nuvem de chuva, derramando Sua beleza como chuva por sobre o pó, num mundo sedento. Colocando esta preferência poética, a natural visão está na palavra “sucessão” (parampara). Sendo visto por outro ângulo, ela danifica tudo. As nuvens de chuva caem indiscriminadamente, mas no verso de Visvanatha ele deixa a ordem natural para trás, e coloca a idéia de sucessão das imagens. Uma vez que a imagem adequada não é muito fácil, nós devemos ter uma boa visão dela. Ou quiçá, a imagem deverá ser de linhas ou faixas de chuva movendo-se, cruzando a paisagem no caminho, que alguém vê algumas vezes no verão; uma intensa e carregada nuvem azul-escuro, caindo e encharcando uma área em particular, mas deixando ao seu redor áreas secas. De qualquer forma, alguém imagina isso, o significado parece ficar claro: a chuva de beleza de Caitanya ou brilho pessoal (kanti) é mediada através de sucessões, e para nós, na comunidade Caitanya, isso significa “sucessão discipular”. Este verso me faz lembrar de um tolo título de um livro, que me foi enviado recentemente. Escrito por alguém chamado Tripurari Maharaj (que tipo de nome Vaisnava é esse, seja como for?), ele é intitulado Sri Guru Parampara: Bhaktisiddhanta Saraswati Thakkura, sua herança esotérica de Kedarnatha Bhaktivinoda. Este livro está cheio de erros estúpidos, falácias, e más interpretações; mas, criticar este livreto bobo não é a questão deste ensaio. O autor, de qualquer forma, reivindica que Bhaktisiddhanta Saraswati recebeu diksa (iniciação) na Gaudiya Sampradaya, e isso fez lembrar-me de meu próprio afastamento para fora da ISKCON (Sociedade Internacional da Consciência de Krishna).

Porque saí da ISKCON
A principal razão de minha saída da ISKCON foi pelo fato de eu crer (e ainda continuo crendo), que Bhaktisiddanta Saraswati NUNCA recebera iniciação apropriada dentro da Caitanya Vaisnava Sampradaya (comunidade). Este desvelamento sacudiu absolutamente meu mundo em pedaços. Eu me lembro, sentado no telhado da casa de convidados da ISKCON em Vrindavana, do triste dia seguinte (que soube daquilo), ao olhar o sol nascente. Aquilo aparentava como um sol diferente, e o mundo o qual eu vi não era aquele o qual era familiar para mim. Isso era agora algo estranho e amedrontador. Durante semanas eu não tinha nenhuma idéia do que iria fazer. A pessoa que me dera à notícia fora o Dr. O.B.L. Kapoor, antigo sábio da tradição Gaudiya Vaisnava, e ex-membro da Gaudiya Math [GM] (seu nome de iniciação na GM era Adikesava Das). Ele pessoalmente confiou em mim; tinha afortunadamente encontrado iniciação genuína fora da organização de Bhaktisiddhanta, com o grande Bhakta da tradição Nitai-Gaura Radhe Syam , Sri Gauranga Das Baba .

Mesmo apesar de eu respeitar enormemente o Dr. Kapoor, eu recusei aceitar o que pareceu para mim como sendo extremamente más notícias, sob sua palavra apenas. Eu perguntei a outros, fazendo minha própria pesquisa, mas em todos os locais eu voltava e encontrava a mesma direção da inacreditável conclusão: Bhaktisiddhanta tinha sido recusado de iniciação por Gaurakisora Das Babaji; uma vez que ele tinha insultado o guru do seu pai, Sri Bipin Bihari Goswami , seu enorme ego e particularmente sua língua afiada, fecharam as portas do reino de Krsna para ele, bem como daqueles que têm dependência dele por orientação. Quando ele fora questionado, pela sua falta de iniciação, por um dos grandes estudiosos e praticantes da tradição Caitanya do último século, Pandita Ramakrsna Das Baba – quem era universalmente respeitado e honrado pelos Vaisnavas de todas as Sampradayas (comunidades) em Vrindavana, naquela época - ele jogou seu veneno sobre o Baba, quem estava seguindo a única forma reconhecida de renúncia na tradição Caitanya sob a casta da comunidade Goswami, e quem era o preservador da tradição Caitanya por séculos. Isso teve um profundo efeito sobre o funcionamento da GM, e todos os seus “descendentes”, um dos quais é a ISKCON. Adiante, se falará mais sobre esse problema numa edição futura deste boletim.

Bhaktisiddhanta não fora iniciado
Por que vim a crer que Bhaktisiddhanta nunca fora iniciado? Esta fora a razão quase universal dos ex-membros da Gaudiya Math empreenderem suas próprias saídas da organização. Eu sempre tinha ouvido que após a morte de Bhaktisiddhanta, em 1937, a Gaudiya Math gradualmente desintegrara-se, como resultado de lutas por poder e orgulho (pessoais). Eu descobri que o impulso real tinha mais princípios do que aquele. Este fora o resultado da descoberta da inautenticidade da iniciação de Bhaktisiddhanta. O homem quem começou a fratura da GM foi Bhaktiprasada Puri Das Goswami, conhecido antes da sua renúncia como Anantavasudeva Das, o líder da GM, que tinha sido escolhido pessoalmente por Bhaktisiddhanta (para ser o seu sucessor). A razão para isso fora precisamente a sua própria descoberta da falha fundamental no parampara da GM. Após cerca de quatro meses de uma longa série de palestras sobre o Bhakti-sandharbha de Sri Jiva Goswami, iniciadas na Bengala e terminadas em Vrindavana, ele chamou a todos os membros do Math, especialmente os sannyasis, e noticiou a sua própria despedida da instituição. Ele, também, informou a eles que seus esforços haviam sido em vão. Sem a iniciação apropriada de seu mestre – Bhaktisiddhanta – os mantras que ele dera nas iniciações eram inúteis. A instituição de sannyasa, também, a ordem de vida renunciada, de acordo com o sistema de Varna-asrama, ou o estágio exemplar de vida Hindu, o qual havia sido instituído por Bhaktisiddhanta no Caitanya Vaisnavismo, era também sem fundamento (uma vez que Bhaktisiddhanta havia dado para si próprio). Ele aconselhou a todos os sannyasis para irem para casa e se casarem. As suas buscas da sannyasa eram fingidas e uma perda de tempo. O mais importante de todos os conselhos que ele deu para o benefício espiritual deles era para pegarem a iniciação apropriada de uma autêntica linhagem dentro da tradição Caitanya. Isso eu escutei de muitos Vaisnavas mais velhos em Vrindavana e Navadwipa, que conheceram Puri Das pessoalmente, e que partiram junto com ele ou em pouco tempo depois.

Discípulos de Gaurakisora Das Babaji
Adicionalmente, eu fiz uma pequena pesquisa por conta própria. Durante uma de minhas visitas a Navadwipa, eu visitei o Bhajana Kutir/Mandira de Gaurakisora Das Babaji e falei com o pujari dali. Eu per-guntei para ele se Gaurakisora Das Babaji tinha tido algum discípulo iniciado? Ele me respondeu, depois de ter consultado alguns outros mais velhos da área, o fato que, tanto quanto ele sabia, houve apenas quatro: um casal (esposo e esposa), de meios modestos, e outros dois, agricultores da vizinhança, e nenhum deles era Bhaktisiddhanta. Como ele sabia disso, e o quanto é confiável seu testemunho eu não sei, mas tomando isso conjuntamente com outras evidências, que proporcionam suporte para a tese, tudo o que Bhaktisiddhanta pegou de Gaurakisora Das Babaji fora suas bênçãos na forma de um pouco de pó de Navadwipa, esborrifada sobre sua cabeça.

Evidências
A terceira parte de evidências vieram por conta de uma testemunha. Tripurari Maharaj declara que houve testemunhas na iniciação de Bhaktisiddhanta. Ele não menciona quem foram elas, e como ele soube que houve testemunhas. Nós estamos na expectativa, eu deduzo, de solenemente aceitar isso sob sua autoridade. Porém, a autoridade dele é inútil, e a menos que ele tenha alguma evidência, nós poderemos tratar a reivindicação de testemunhas sem a devida dúvida que merecem. A testemunha ocular que eu conheço, e da qual eu ouvi, foi de quem observou a admissão de Bhaktisiddhanta diante de Pandita Ramakrsna Das Baba, de que: “ele não recebeu iniciação de Gauraksora Das Babaji”. Bhaktisiddhanta tinha o hábito de visitar o Pandita Babaji durante as suas visitas a Vraja, uma vez que este era, sem dúvida, o mais respeitado dos Vaisnava da Caitanya, no inicio do século XX. Numa certa ocasião, certamente antes de 1914, quando Gouraksora Das Baba abandonou o corpo, Bhaktisiddhanta orou muito para Gauraksora Das na presença de Pandita Baba. Pandita Baba perguntou a ele se havia recebido a iniciação de Gauraksora. Bhaktisiddhanta disse que ele a tinha recebido em sonhos. O Pandita Baba disse-lhe que estava bem, mas que deveria recebê-la em carne e osso, uma vez que este era o único tipo de iniciação aceitável como autêntica na tradição Caitanya. Bhaktisiddhanta respondeu-lhe que iria, e encerrou a visita.

Evidências notáveis
Uns poucos anos mais tarde, em 1917-18, Bhaktisiddhanta retornou para Vrindavana, agora como o “acarya” da Gaudiya Math; um homem famoso com muitos discípulos. Ele visitou novamente o Pandita Baba. Babaji estava vivendo naquela época no Bhagavata-nivasa asrama, na Ramana Reti Road. Ele tinha estado doente, e tinha se recuperado. Quando Bhaktisiddhanta visitou-o, Pandita Baba perguntou-lhe novamente se ele tinha recebido iniciação de Gauraksora Das Baba. Ele respondeu que não tinha; ponto no qual o Pandita Baba ficara extremamente irado, pelo fato de ele ter tomado discípulos sem a devida iniciação. O Pandita Baba enxotou-o para fora do Asrama, e Bhaktisiddhanta, temendo danos em sua reputação, iniciou a sua campanha de calúnia contra os Babajis de Vraja, e proibiu seus discípulos de se encontrarem com eles. Este fato foi dado a mim por Advaita Das Baba, quem era sobrinho de Puri Das, e quem declarou que tinha escutado diretamente de Visnudas Baba, um jovem rapaz, e quem havia estado lá para ajudar o Pandita Baba durante a sua estada em Bhagavatanivasa. Visnudasa tinha estado no quarto durante o encontro do Pandita Baba e Bhaktisiddhanta, e escutou esta discussão pessoalmente. Advaita Das Baba estava, então, muito velho. Ele era um discípulo siksa (instrutor) do grande mestre Smarana, Manohar Das Baba de Govardhan. Quando eu me encontrei com ele, ele estava em Mahanta (abadia) de Govinda-kunda, o asrama de Siddha Manohar Das Baba. Eu expressei minha ansiedade sobre deixar a ISKCON por Advaita Das Baba. Eu sabia que iria deixar Bhaktivedanta muito irado se eu deixasse a ISKCON e pedisse abrigo aos pés de Kisorikisorananda Das Baba, como eu havia pensado em fazer. Ele sorriu e garantiu-me de que eu não teria nada a temer da ira da Bhaktivedanta. As Suas exatas palavras foram: “..sua ira não tem força!”. Eu dei um salto, e desde então eu nunca mais olhei para trás com qualquer pesar.

Há provas suficientes? Apasampradaya!
Tudo isso prova que Bhaktisiddhanta não recebeu iniciação autêntica? Isso depende dos meios de prova. Algumas pessoas fixam uma barra tão alta para a prova disso que, por aquele padrão, nada pode, sem dúvida, ser provado. Ainda hoje há alguém fora de centro e “boboca” que declara que o tal Holocausto não ocorreu, devido a que não fora definitivamente provado que tenha acontecido... Eu penso que a evidência preponderante cai contra Bhaktisiddhanta ter recebido uma iniciação autêntica. Não é somente um caso de boato, como alguns muito grossos demagogos querem reivindicar. As pessoas que sobreviveram àqueles eventos estavam vivas quando eu estava encarando minha difícil escolha e eles compartilharam comigo suas experiências e deslumbres. Além disso, é absurdo pensar que Bhaktiprasada Puri Goswami teria feito tal escolha momentânea, baseado em mero boato. Ele renunciou ao mais elevado e mais honrado posto dentro da GM, para viver uma vida de serviço e isolamento em Vrindavana. Sua vida foi colocada em perigo por causa disso, e se ele não tivesse sido escondido por alguns dos Goswamis do templo de Radharamana em Vrindavana, alguns dos membros da GM o teriam matado. Finalmente, há o fato de que a corrente da comunidade Vaisnava não considera a GM e a ISKCON [IGM] (esta fundada por Bhaktivedanta), como membros autênticos da tradição Gaudiya. Isto está mais dramaticamente demonstrado pelo fato de que a principal bandeira da Gaudiya Vaisnava Sampradaya não come nem tampouco se associa, tanto quanto possível, com os membros da IGM. Será este sentimento alastrado dentro da comunidade corrente com relação a IGM, baseado simplesmente em boatos? Eu penso que não. Ele está baseado na convicção de que a IGM não é parte da comunidade dos Vaisnavas, estes os quais traçam sua tradição desde Sri Caitanya Mahaprabhu. Eles são uma apasampradaya, ou comunidade renegada.
Conselho
Meu conselho para os homens e mulheres da ISKCON, e para os ex-ISKCON e não ISKCON é o mesmo que recebi há muitos anos atrás pelo Dr. Kapoor: “adquiram uma iniciação adequada”. Há muitos membros do autêntico Vaisnava Parampara, cujas linhagens são indisputadas.

Próxima edição: a segunda parte do argumento: A fenomenológica evidência de que a ISKCON não possui uma iniciação autêntica. Ela é de fato bem sucedida? Teve alguém que avançou? Qual é a regra que o Santo Nome joga hoje nela? Está tudo isso em concordância com a idéia de que a porta interna do reino de Krsna está fechada a ferrolhos para os membros da IGM?

Hare Krishna: “Não somos hindus!”


Hare Krishna: “Não somos hindus!” 
- somos islâmicos! -

Prahladasa Nimay

texto em colaboração com os estudos de

Swami Subramuniya





O texto a seguir somente foi possível devido aos estudos iniciados por Sua Santidade Swami Subramuniya, fundador do Kauai Hindu Monastery, e da revista internacional, Hinduism Today.


Nós não somos hindus! (Srila Prabhupada)

Abhay Charan, conhecido como Prabhupada, durante suas conferências, vai tecendo claramente a origem filosófica de sua seita, dando as pinceladas da sua formação. Escreve em “The Science of Self Realization” (CAR), artigo referente a “Consciência de Krshna, Culto Hindu ou Cultura Divina?”, pensamos que, se traduzido para o português, deve ter seguido a linha da má tradução e interpretação peculiares, encontradas no que Abhay escrevera ou falara (típico de quem pretende manter um autor atualizado e contextualizado, mesmo que suas ideias sejam díspares do tempo). Diz Abhay Charan, “Há um conceito errado de que o movimento da consciência de Krsna representa a religião Hindu... Alguns indianos, tanto dentro como fora da Índia, pensam que nós estamos pregando a religião Hindu, mas de fato nós não estamos”.  CAR, primeiro parágrafo.

Subramaniya Swami, o fundador do Hinduism Today, escreveu o seguinte: “A questão de quem é um Hindu - alva e clara para o governo indiano, e documentada na Constituição -, continua a causar perplexidade para aqueles que adoraram o Yoga e muitas crenças Hindus. Numa investigação permanente de ‘Hinduism Today’, ficou claro que a ISKCON, a ‘International Society for Krishna Consciousness’, é enfaticamente um organização não Hindu. Caso você não creia nisso, então ouça o que Sri Prabhupada, com suas próprias palavras, está pregando contra o Hinduísmo em seu livro intitulado ‘The Science of Self Realization’”.

Será que os Hare Krishna são Hindus?
As citações do ISKCON de Srila Prabhupada são muito claras, ou será um equívoco o que escreveu A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, em 1977? Em “The Science of Self Realization”, que “... o movimento da consciência de Krishna representa a religião Hindu? Algumas vezes indianos, tanto na Índia como fora, pensam que nós estamos pregando a religião Hindu, mas de fato não estamos”. No capitulo três do livro referido (traduzido para o português como Ciência da autorrealização), este ponto impressionante é citado várias vezes, reforçando Prabhupada: “O movimento da consciência de Krishna não tem nada com a religião Hindu ou qualquer sistema de religião... deve-se entender claramente que o movimento da consciência de Krishna não está pregando a assim chamada religião Hindu”.

Os seguidores de Srila Prabhupada têm juntado todas as cartas, livros, palestras, entrevistas e conversações no Bhaktivedanta Vedabase (e que também está disponível no Bhaktivedanta Archives). Há um CD-rom que possui 183 referências ao Hinduísmo (com “h” sempre minúsculo), os quais foram compilados e devidamente analisados, para entendermos o ponto de vista de Srila Prabhupada e sua visão para com o ‘hinduísmo’. Segue Subramuniya Swami escrevendo que, “Repetidas vezes Srila Prabhupada simplesmente nega a existência de uma religião chamada de Hinduísmo. Ele atribui a isso o fato de ser uma designação imprópria dada por ‘invasores estrangeiros’. Em outras vezes, ele reconhece a existência da fé, mas a considera inesperançosa e uma degradada forma do Sanatana Dharma original dos Vedas. Na sua palestra de abril de 1967, ele frisou: ‘Embora fazendo-se passar por grandes estudiosos, ascetas, chefes de família e Swamis, os então chamados de seguidores da religião Hindu, são todos imprestáveis; ramos secos da religião Védica’. Ele cria que a ISCKON era a única verdadeira expoente da fé Védica dos dias de hoje. Numa entrevista dada ao Bhavan´s Journal, em junho de 1976, ele disse: ‘Na Índia, eles abandonaram o verdadeiro sistema religioso, Sanatana Dharma. Ficticiamente, eles têm aceitado uma mistura de coisas as quais chamam de Hinduísmo. Portanto, isso é uma confusão’”.

Prabhupada, frequentemente, explicava a sua posição, e agia de acordo com suas crenças no estabelecer uma Sociedade dinâmica. Em 1974, numa palestra em Mumbai, ele declarou: “Nós não estamos pregando a religião Hindu. Enquanto uma sociedade registrada, eu propositadamente mantive o nome ‘Krishna Consciousness’, nada de religião Hindu, ou Budista ou Cristã”.

Srila Prabhupada estava consciente de que a comunidade indiana tinha uma visão equivocada sobre a posição dele desprezando o Hinduísmo. Numa carta de 1970, para um administrador de templo em Los Angeles, ele escreveu: “A comunidade Hindu do Ocidente não tem bons sentimentos para comigo, porque superficialmente eles estão vendo que eu estou espalhando a religião Hindu, mas de fato, este movimento da consciência de Krishna não é nem Hindu ou de qualquer outra religião”.

A coisa fica mais confusa hoje, uma vez que Prabhupada não deixou sucessor com autoridade para mudar sua ordem espiritual. Então, por que, a comunidade Hindu em geral crê de forma equivocada que a ISKCON é uma organização Hindu, quando jamais o fundador aceitou isso como tal? Bem, algumas vezes é feito. Durante a abertura recente de um templo da ISKCON em Nova Delhi, e em Bangalore, havia jornais que com frequência identificavam os grandes templos deles como sendo “Hindus”, apesar de que os impressos jamais usarem a palavra “Hindu”. Também, quando os devotos indianos servem a cada um daqueles templos, onde foram citados naqueles artigos pelos jornalistas, eles dizem que é um templo “Hindu”. A discrepância entre a percepção pública e a política interna está além das exceções de um grupo oficial para a posição não-hindu do fundador. Diante destas dificuldades, os líderes da ISKCON têm apelado para a comunidade Hindu para dar base a eles, como visto numa disputa no Bhaktivedanta Manor no Reino Unido, ou quando em briga com os cristãos na Rússia e na Polônia. Nos apelos aos juízes e governos, a palavra Hindu é abertamente usada. Em outros casos legais, incluindo um na Suprema Corte dos Estados Unidos, como mostra na contra-argumentação do rótulo de “culto” dado por ela, e eles clamando ser de linhagem Hindu tradicional, tendo, inclusive, pedido para que outros Hindus afirmassem isso. Por outro lado, outras organizações que se separaram do Hinduísmo, tais como Meditação Transcendental, Ananda Marga, e Brahma Kumaris, não abrem mãos desta posição em qualquer circunstância. O que coloca a ISKCON a parte é o seu repúdio aberto e o criticismo ao Hinduísmo ou Sanatana Dharma, especialmente encontrado entre seus membros. Há relatos de Hindus que se juntaram a ISKCON como uma forma de rejeitar a religião familiar; "Anteriormente nós éramos Hindus, agora somos Hare Krishna”, dizem alguns. E, ao mesmo tempo, a organização frequentemente apela para a comunidade Hindu, e pessoas de negócios, para apoio financeiro, e programas sociais, bem como ajuda política para proteger a ISKCON dos seus caluniadores.

Conclui Subramuniya Swami, “Considerando-se a aparência como se vestem os membros da ISKCON, seus nomes, o Bhajan, festivais, adoração, escrituras, peregrinação, construção de templos, e assim por diante, será uma pequena maravilha se muitos deles assumirem que são Hindus. Ao descobrir sobre a situação do seu fundador e o Hinduísmo, certamente, muitos irão ficar surpresos, tantos os Hindus como os não Hindus. Isso, talvez, até mesmo surpreenda uns poucos Hare Krishnas em si mesmos”.

Ciência da Autorealização (CAR)
A seguir, algumas poucas citações de Abhay Charan (Bhaktivedante Swami) sobre os Hindus, que estão localizadas em Ciência da Autorrealização :

“O título “hindu”, “muçulmano”, ou “cristão”, é um mero rótulo. Nenhum deles sabe quem é Deus e como amá-lO” CAR, p.4

“O dicionário também diz que Krishna é o nome de um deus hindu. Mas, se podemos atribuir algum nome a Deus, este nome é Krishna”. CAR, p4.

“Das espécies humanas, a maior parte são incivilizadas, e das poucas espécies civilizadas apenas um pequeno número de seres humanos adota a vida religiosa. Dentre muitos ditos religiosos, a maior parte identificam-se por designações, afirmando ‘eu sou hindu’; ‘eu sou muçulmano’, ‘eu sou cristão’, e assim por diante. Alguns dedicam-se à filantropia, outros dão caridade aos pobres, abrem escolas e hospitais. Este processo altruísta chama-se Karma-kanda” CAR, p.8

“Não importa que você seja um cristão, um hindu, ou um muçulmano. O movimento para a consciência de Krishna admite qualquer pessoa que queira compreender a ciência de Deus” CAR, p.10

Consciência de Krishna, culto hindu ou cultura divina?
Ao situar o movimento da consciência de Krishna dentro de um contexto histórico-cultural conveniente, muita gente identifica o movimento com o “hinduísmo”. Mas isso é um erro, conforme o próprio fundador da ISKCON argumenta. Srila Prabhupada nega por completo a relação com o panteísmo, o politeísmo e a consciência de casta que impera no hinduísmo moderno. Se bem que, a filosofia da consciência de Krishna e o “hinduísmo” moderno, compartilham de uma raiz histórica comum – a antiga cultura védica da Índia – o hinduísmo, juntamente com as outras “grandes religiões”, se converteu em uma instituição sectária, enquanto que a filosofia da consciência de Krishna é universal, e transcende as relativas designações sectárias, vejamos alguns exemplos dado pelo fundador da ISKCON:

“... às vezes, os indianos, tanto fora quanto dentro da Índia, pensam que estamos pregando a religião hindu, mas na verdade não é isso”. CAR, p.11

“ O Movimento da Consciência de Krishna nada tem a ver com a religião hindu ou qualquer outro sistema de religião”. CAR, p. 12

“Deve-se compreender claramente que o movimento da consciência de Krishna não está pregando a suposta religião hindu. Estamos apresentando uma cultura espiritual que pode resolver todos os problemas da vida...” CAR p12

Em todo o mundo, as pessoas amam não a Deus, mas a seus cães... não somente os cristãos, mas os maometanos e todos os hindus são culpados. Eles se rotulam como ‘cristão’, ‘hindu’, ou ‘maometano’, mas não obedecem a Deus. Esse é o problema”. CAR, Compreendendo Krishna e Cristo.

“Eles não são sannyasis (os membros da ISKCON), nem são vedantistas, nem hindus, nem indianos, mas estão levando este movimento muito a sério”. CAR p8

 “... os hindus modernos não estão seguindo estritamente as escrituras hindus....” CAR, p.13

Quem é hindu?
Pode-se ver nas breves citações acima, muito claramente nos seus escritos, que Abhay Charan não contava com a “era da Informação”, como o acesso à internet, onde qualquer um, sabendo como pesquisar, pode acessar qualquer biblioteca, seja online ou não, e conferir de perto livros, textos, citações, e mesmo os mais antigos e raros documentos sobre o Dharma indiano. É sabido que o Ocidente tem certo desprezo ou indiferença pelo pensamento oriental. Isso não é de se estranhar. As razões são inúmeras, mas podemos facilmente depreender uma conclusão de o fato da predominância do pensamento judaico-cristão entre os Europeus e Americanos, e sua abjeção aos que lhes são considerados “estranhos morais”. Especialmente os povos menos favorecidos com educação e erudição, como o notável exemplo da América Latina, seguem a visão sectária e monolatra, ficando tão somente presos aos mitos, crenças, e ideias exógenas impostas geração após geração. Os então “colonizadores evangelizadores”, chamavam o povo fora do seu moralismo de “pagão”, e aqueles, vindos de países onde sua crença já era plena em decadência, tinham ainda esperanças de mantê-la por mais alguns séculos, e assim garantir o seu rico ganha-pão na exploração da ignorância de ‘índios” e “incivilizados”, como chamavam (modelo mantido por Abhay Charan, conhecido como Srila Prabhupada). O modelo de marketing foi bem incorporado por alguns especialistas em negócios religiosos, de tal forma que conseguiu penetrar no Ocidente, morada ampla de consumidores.

Abhay Charan tinha pouco ou quase nenhum acesso a textos e literatura sânscrita em sua época. Poucas editoras até hoje na Índia editam livros como o Bhagavatam, ou mesmo Bhagavad-gita, no original. Talvez a Gita Press seja uma das poucas e raras editoras que segue sua linha editorial de textos clássicos, sem interpretações ideológicas de grupos, seitas ou facções religiosas. Este pouco acesso era visto como uma tendência irredutível, a ponto de poder “desaparecer com o avanço da Kali-yuga”, ele tampouco concluiu o curso superior na área da química que iniciara, dedicando a atividade leiga, produzindo um tipo de linimento para dores. Jamais cursou qualquer faculdade de filosofia ou similar. Contrariando, e muito, os membros da Gaudiya Sampradaya (diferentemente da gaudiya matha fundada por Bimala Prasad, o 'guru' de Prabhupada). Mas o mundo mudou, e todos podem acessar grande parte da literatura original védica em grandes bibliotecas ao redor do mundo, sem mesmo precisar sair de casa. Boa parte dos livros que foram editados pela então BBT, na realidade, foram composições feitas por adeptos novatos norte-americanos, das palestras de Prabhupada, aqueles, nada acostumados com o Sânscrito, por exemplo, nem como filosofia ou gramática, como podemos ver numa conversa realizada entre Prabhupada e os seguidores Ocidentais, no dia 22 de junho de 1977,  conforme a seguir:

Srila Prabhupada: Onde estão os outros?
Tamala Krsna:  pego outras pessoas? Satadhanya Maharaja? (longa pausa).
Sril Prabhupada: esse... encontre este verso: ‘munayah sadhu prsto ‘ham... (SB, 1.2.5).
Tamala Krsna: não está no índice. Este não é o novo Bhagavatam. Não há índice neste Bhagavatam. Munayah sadhu? “Os efeitos da Kali-yuga”, capítulo? Este é o verso sobre os efeitos da Kali-yuga? Não, (conversação de fundo, procurando pelo verso): munayah sadhu prsto 'ham bhavadbhir loka-mangalam yat krtah krsna-samprasno yenatma suprasidati [SB 1.2.5] “munayah- dos sábios; sadhu- isso é relevante; prstah- perguntado; aham...”
Srila Prabhupada: Não? O que é isso? Sadhu? O que é isso? Munayah?
Tamala Krsna: diz, “sadhu- isso é relevante”.
Srila Prabhupada: relevante?
Tamala Krsna: isso é o que está traduzido como “isso é relevante”. Talvez seja um engano.
Devoto (1): Isso é um engano.
Srila Prabhupada: Munayah?
Tamala Krsna: “munayah- dos sábios; sadhu- isso é relevante...”
Srila Prabhupada: sem sentido! Eles são... eles estão corrigindo minha tradu.... Patifes. Quem fez isso? Munayah está direcionado a todos este Munis.
Tamal Krsna: “isso está direcionado aos munis?
Srila Prabhupada: Sim.
Tamala Krsna: sadhus: grandes sábios.
Srila Prabhupada: Sim. Sadhu significa que eles são muito puros. O que pode ser feito se isso vem pra cá, e estes patifes se tornam “letrados” em sânscrito, e fazem todos estes absurdos? Um “culto” em Sânscrito enganado ... que patife! Ele tira... o que é seu.../? Saci-suta? Saci-sandana?
Tamala Krsna: jaya-sacinandana?
Srila Prabhupada: E eles estão mantendo isso. Significado diferente.
Tamala Krishna: “Bhavadbhih- por todos vocês; loka- o mundo; mangalam- bem-estar; yat- porque; krtah- feito; krsna- a Personalidade de Deus; samprasnah- questão relevante; yena- pelo qual; atma- ser; suprasidati- completamente satisfeito. Tradução: “ó sábios....”
Srila Prabhupada: Agora, aqui é “ó sábios”, e no significado palavra está “dos munis”. Apenas veja. Tal é a patifaria do “estudioso” do Sânscrito. Aqui isso está direcionado, sambodhana, e eles tocam (?) isso “munayah- dos munis”. É um grande risco dar a eles a direção editorial. Pouco conhecimento é perigoso. Todavia, estudioso apropriado do Sânscrito, pouco estudo, perigoso. De uma hora para outra eles se tornam grandes eruditos; altamente assalariados, e todas estas tolices. Quem são eles? (pausa), então?
Tamala Krishna: “ó sábios, eu fui...”
Srila Prabhupada: Não, eles não podem ser confiáveis. Eles podem fazer mais danos. Apenas veja a graça (?).
Tamala Krishna: sim. Nós descobrimos que no quinto canto há palavras que estão fora, o significado mudou completamente. Eu penso que no terceiro capítulo que nós lemos, Bhakti-prema Maharaj fez uma meia dúzia de correções de correções sérias. Eles têm mudado o significado.
Svarupa Damodara: alguns dos erros no número das figuras.
Tamala Krishna: ah, sim, todos elas estão...
Srila Prabhupada: então, como eles podem ser confiáveis, assim chamados, deste modo? (sussurro de fundo) hmm?
Yasoda-nandana: no Gurukula nós estamos dando aulas de Isopanisad para as crianças. Então nós pegamos... (inaudível)... Prabhupada e as palavras cuja recente edição da Press estão erradas. Muitas mudanças foram feitas. Eles estão tentando fazer um “inglês” melhor, mas algumas vezes, para fazer um inglês melhor, eu penso que eles estão cometendo erros filosóficos também. Não há muita necessidade de tornar o inglês melhor. Seu inglês é suficiente. Ele é muito claro, muito simples. Nós vimos 125 mudanças. Eles estão mudando muitas coisas. Nós duvidamos que fossem necessárias. Iremos mostrar isso para o senhor agora. Eu mantenho o livro.
Srila Prabhupada: E o que estes patifes estão fazendo? O que pode ser feito? Como podemos confiar neles?
Svarupa Damodara: não é responsabilidade da gestão do BBT ver sobre estas mudanças sem a permissão de Prabhupada?
Srila Prabhupada: E Ramesvara negligenciando isso. O grande patife é Jagannatha? Ele está em Los Angeles.

Mas na conversa toda não vemos somente os absurdos cometidos pelos inexperientes ascetas seguidores da ISKCON da época, bem como a fragilidade de entendimento da Filosofia Ocidental por parte dos debatedores. Claramente, a crítica que fazem à visão dos filósofos nos demonstra como ignoram a Filosofia. Um fracasso sem igual fora a publicação de um amontoado de conversas, provavelmente fictícias, entre Prabhupada e alguns membros da ISKCON, intitulado "Espiritualismo Dialético", onde evidenciamos claramente o desconhecimento da Filosofia, por parte dos protagonistas, bem como das ideias apresentadas, sem nenhuma hermenêutica ou mesmo heurística. Este 'livro' não foi mais reeditado, porque tamanhas foram as críticas e como eram insustentáveis as teses, não quiseram expor novamente a fragilidade intelectual do suposto autor dos textos.

A monolatria
Na visão da monolatraia ,é considerado que há somente um Deus supremo, mas há outros seres subservientes. Eles são frequentemente chamados de “emissários divinos”, “anjos”, “arcanjos”, "semi-deuses", etc.; os textos monólatras estão cheios deles, têm nomes, e diferentes funções, onde aqui achamos desnecessário enumerar. Mas o monoteísmo da tradição muçulmana tem uma influência notável no pensamento de Abhay Charan, quer por sua formação em escolas Anglicanas – de tradição judaico-cristã, quer pela influência política real inglesa da época. Por sua vez, a redução feita por Prabhupada da doutrina de Sri Krsna Caitanya, notavelmente um Sankarite da tradição de Adi Sankara (a quem Prabhupada considerava um materialista ateu; um 'budista disfarçado'). Para o bem da verdade, a visão restrita, advinda do islâmico supostamente ‘convertido’ à visão indiana, Jiva Goswami – ou  talvez mal atribuída àquele por Prabhupada-, deixou marcas profundas no pensamento que se sucedeu dali em diante. Jiva, não conseguiu libertar-se das suas raízes muçulmanas, nem mesmo apesar de dizer “manifestar devoção por Krsna”, conforme alguns comentam que tinha na infância. isso é bem claro em todos os escrituras atribuídos a sua pessoa. Num breve estudo da sua biografia, vemos que a proximidade com seus tios, Rupa e Sanatana, ambos Goswamis, trouxe-lhe alguma familiaridade na sua forma de pensar e agir, com relação ao modo como transfigurou a filosofia de Caitanya.  Mas se olharmos de perto, veremos que o nome “Krsna” passa a ocupar a posição do monoteísmo monólatra muçulmano, tal qual o Alah defendido tradicionalmente pelos islâmicos. O nome “krsna”, devido à proximidade com o nome “christo”, do cristianismo, reduz-se em Jiva a “bhagavam”, “o Senhor”, algo muito próximo ao “profeta supremo” Maomé, e isso encheu a imaginação dos especuladores. Diz Srila Prabhupada, Cristo é outra forma de dizer Krishta, e ‘krishta’ é outra forma de pronunciar Krishna, o nome de Deus. Jesus disse que devemos glorificar o nome de Deus... Um filho talvez chame seu pai de ‘pai’, mas o pai também tem um nome específico. Similarmente, ‘deus’ é o nome genérico da Suprema Personalidade de Deus, cujo nome específico é Krishna. Portanto, seja como você chame ‘deus’, Cristo, Krishta, ou Krishna, no final das contas você está se direcionando a mesma Suprema Personalidade de Deus”. CAR, Krishna, Christos, Christ. A releitura de Prabhupada é sem dúvida uma herança Jivanista. Todos sabemos que Muhammad ibn ‘Abdullāh, é o nome original do profeta de Alah, considerado o fundador do Islamismo, por volta do ano no séc. VI-VII. Na visão islâmica, Alah é deus é Maomé o seu profeta. Portanto, segundo o islamismo, há somente um único deus chamado Alah, quem é o senhor de tudo. Assim é que Jiva tenta mal conciliar a visão abundante e variada no Santana Dharma com a visão restrita e persecutória do modo de pensar das tradições judaico-cristãs, onde nelas, evidentemente, se encaixa a visão do monoteísmo monólatra muçulmano ou islâmico, bem distante do pensamento panteísta védico onde tudo é Deus.

Caitanya e o monocentrismo
O clima da época do aparecimento de Caitaya (por volta do séc. XVI) era de perseguição ideológica, política e religiosa, por parte dos muçulmanos. Os muçulmanos ocupavam o território indiano já há séculos, e nele impunham suas formas de pensar e agir. Basta vermos os trajes e roupas que a Índia usa hoje, bem como os pratos como halavah (doce de Allah), por exemplo, entre outros tantos, uma herança cultural dos árabes. Por outro lado, quem fosse contrário ao regime muçulmano, tinha sua cabeça cortada fora, ou esmagada pela pata de um elefante, ou mesmo era esquartejado, tendo suas partes salgadas e espalhadas pelas praças dos vilarejos. Esta influência muçulmana não se desfez de uma hora para outra. A Psicologia afirma que são necessários apenas 10 anos para que as impressões, ideologias, e ethologia fiquem impregnadas dentro de uma pessoa. A Índia viveu o domínio e ocupação muçulmana por séculos, quem sabe, milénios, e não se poderia esperar outra coisa senão uma miscigenação entre as ideias do Sanatana Dharma - quase que inteiramente esquecido desde o início das ocupações estrangeiras-, e a visão monoteísta muçulmana, da tradição judaico-cristã. Apesar de o Sanatana Dharma ser também monoteísta, e até mais do que a visão monocêntrica da tradição judaico-cristã, e apesar de possuir uma grande variedade de formas e maneiras de expor o Uno, isso não é compreendido por aqueles que possuem uma visão sectária, ou de monolatria, onde creem ingenuamente que há “deuses secundários” a um primeiro que é o chefe de todos. Claro que as antigas visões mitológicas, na realidade, tentativas primitivas de tentar explicar ou responder dos homens diante das forças da natureza, criaram a ideia de um “controlador celeste” para cada coisa como: água, vento, fogo, etc. sendo encabeçados pelos “devas” (amigos de deus), os quais recebem nomes e também atributos, bem como veículos que os transportam, e toda uma parafernália de apêndices que os acompanham, tendo em vista auxiliar nas suas ações de servos divinos. Mas há também na religião muçulmana os “jinnis” além mesmo dos anjos (criados a partir da luz por Alah). Apesar de a palavra “anjo” originar-se de “angira”, ou devas de Agni (deva do fogo; seres de luz), há toda uma hoste de seres celestes os quais atuam como protetores e auxiliareis invisíveis dele. Gabriel é o anjo mais famoso de todos, tendo sido o intermediário entre deus e o profeta. Mas há anjos bons e anjos maus. Ao contrário dos anjos, os jinnis possuem vontade própria, por isso alguns são bons e outros maus. Um destes anjos maus é Iblis (Satanás), sendo um jinn, desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal. Anjos e jinnis aparecem ao longo do Corão como interferindo diretamente nas vontades e destinos das pessoas. Eles estão presentes até mesmo no Antigo Testamento, anunciando fatos, ordenando comportamentos, mudando o destino de povos e nações. Estes seres são, no mais das vezes, emissários celestes, enviados pelo deva supremo, mas há os que são também contrários ao “deus supremo” estando a serviço do “deus do mau” ou contrário àquele que prega o individualismo e a dissolução da ideia de grupo ou nação; eles servem ao satam (a si mesmos); o diabo, aquele que instala a discórdia.

O bem e o mal são partes da acirrada disputa entre poderes, seres celestes, e todo um conjunto que atua na unidade da hegemonia divina. Assim os escritos religiosos encabeçados por textos como o a Bíblia, o Corao, e outros, enfatizam esta disputa eterna, dando até mesmo uma conotação de inferioridade ao que chamam de deus todo poderoso quando este se defronta com seus inimigos, Interessante isso, um deus todo poderoso que não pode vencer definitivamente o mal que atormenta eternamente! Incoerente! Mas afinal, ele sempre vence as disputas; só não bem se explica porque permite que o mal exista na eternidade, se é para satisfazer a sua vontade de vencer eternamente? Digressões a parte, a ingenuidade do pensamento maniqueísta, da eterna luta pelo bem e o mal, é notável nas chamadas religiões monoteístas e monólatras. Assim estão presentes em muitas seitas chamadas “não cristãs”, e que de algum modo incorporaram aquele pensamento. A visão de Abhay Charan é uma transposição dos aspectos ritualísticos do Santana Dharma com a visão ingênua do monoteísmo muçulmano, às vezes judaico, e às vezes cristão, a ponto de aquele comparar o nome de Krishna a “Christos”, como vimos. Isso nos deixa a pensar numa quase necessidade de justificar, de desculpar-se ou até mesmo demonstrar que “o deus que estamos falando é o mesmo de vocês!”, porém apenas com um nome ligeiramente diferente. Tamanha ingenuidade não poderia ter outra origem a não ser, evidentemente, a da influência dogmática da tradição judaico-cristã, transpondo-se notavelmente nos escritos do fundador da ISKCON. O leitor poderá ver muitas outras coisas de origem islâmica no pensamento de Prabhupada, basta estudar um pouco sobre o Islamismo. Os membros engajados no movimento daquele, no começo estão vedados pelo fanatismo de regras e regulações, mas tão logo a luz do conhecimento abra-se um pouco, verão a notável transposição.

O pecado
Nas interpretações e até mesmo na “tradução” do Bhagavad-gita Como Ele É, várias vezes revisado e editado pelos seguidores de Abhay Charan, aparece a palavra “pecado”, quando sabemos que esta palavra não pertence, nem no étimo, nem no sentido, e tampouco estando no vocabulário Sânscrito, com o mesmo sentido e significado dado na tradição judaico-cristã. Os textos de Prabhupada, de fato, são uma transposição da visão judaico-cristã para o sentimento com vestimentas, traços e representações do que é encontrado na tradição no “hinduísmo”. Por sua vez, o Islamismo afirma que no dia do Julgamento Final, Yaum al-Qiuamah - na língua árabe (em que podemos ver uma semelhança com o nome do senhor da morte em Pahli), ocupado por Yamaraja na visão de Prabhupada, é o momento em que o ser humano é ‘ressuscitado’ e julgado na presença de deus pelas más ações (karma) que praticou. Os que estiverem livres de “pecado” serão enviados diretamente a morada suprema, ao verdadeiro lar, a morada de Krishna, mas os ‘pecadores’, quem não se rende a forma, visão e aparência de Krishna, irão arder no inferno. Mas assim como no Islamismo, bem como Cristianismo e outros “ismos”, as únicas pessoas que permanecem no inferno, sem ter expiação dos seus pecados, para então poderem entrar no paraíso, são os hipócritas religiosos, ou seja, o que não seguem os preceitos da seita, ou fingem que seguem, caindo em maya, sendo eternamente queimados ou fritados em óleo! Todas as outras religiões, além daquela que o fundador criou, não prestam e não servem. Uau!

Sobre a questão da mulher

Platão e Aristótles declararam que as mulheres são humanas, mas até o Conselho de Macon em 550, não havia este reconhecimento, de que as mulheres tinham alma. Em 1988, no seminário da ISKCON em Towaco, Nova Jérsei, houve a discussão se as mulheres poderiam ou não ser brahmanas [da classe dos sacerdotes]; alguns diziam que a mulher pertence a um certo varna (casta) por qualificação, isso é, uma brahmani ou mulher brahmana. Outros arguiram que as mulheres não são membros de qualquer varna, devido a sua classificação junto com os sudras, a baixa casta. Outros sugeriram que Srila Prabhupada dera iniciação brahminica para mulheres apenas para pacificá-las, mas isso não se constitui numa verdadeira iniciação brahminica... essa discussão permanecesse não resolvida”. Nori Muster, ex membro da ISKCON - Women in Iskcon.


A visão ultrapudica, onde a monogamia, bem como a noção de que somente os adeptos podem ter sexo com finalidades procriativas, é, também, uma herança do ethos judaico-cristão. As mesmas regras e regulações, que segregam homens de um lado e mulheres de outro (consideradas como 'sem alma' por parte de alguns adeptos da seita), homens na frente, quando conveniente, e mulheres atrás, considerando-as inferiores e estando abaixo dos animais irracionais, ou consideradas como 'sem alma' por parte de alguns, é, também, uma notável herança da tradição muçulmana. Podemos ler uma série de comentários, no mais das vezes, colocando a mulher sempre numa situação de inferioridade. No Bhagavad-gita Como Ele É, interpretado por Prabhupada, há uma fartura de exemplos que colocam-na numa condição de inferioridade e mesmo escravismo. Por exemplo, lemos na Introdução do livro referido, “Os seres humanos, mesmo os de mais baixo status de vida (um mercador, uma mulher, ou um trabalhador) podem alcançar o Supremo”. A mulher aparece como tendo o “mais baixo status de vida”, lamentável. No comentário do verso 1.40, lemos: “De acordo como Canakya Pandit, as mulheres geralmente não são muito inteligentes, e, portanto, não são confiáveis” (Prabhupada, Bgita, 1.40). Não raro, as mulheres são comparadas a objetos de simples desfrute demoníaco, colocando-as lado a lado com jogatinas, bebidas alcoólicas, e intoxicações diversas, sendo instrumento de demônios: “Em geral as pessoas não são muito inteligentes, e devido as suas ignorâncias elas são mais apegadas às atividades fruitivas, conforme recomendado na porção karma-kanda dos Vedas. Elas não querem nada mais do que a gratificação dos sentidos objetivando uma vida de desfrute nos céus, onde vinho e mulheres estão disponíveis, e a opulência material é muito comum” (gita, 2.42-43). Vemos bem objetivamente, que isso é uma clara referência à crença muçulmana em um Paraíso de virgens, leite e mel, como recompensa a um bom seguidor de Maomé. Assim como na visão islâmica ortodoxa, a mulher é colocada como um simples objeto de prazer, garantida na companhia celestes depois da morte, e onde quem está na seita fundada por ele, “... a pessoa não mais passa a interessar-se pelas atividades materiais, e não passa a ter prazer em arranjos como vinho, mulheres, e paixões tolas semelhantes” (bgita, 3.18). E o verso 9.32, é traduzido da seguinte maneira “Ó filho de Prtha, aqueles que se refugiam em Mim, apesar de eles terem um nascimento inferior – mulheres, vaishyas [mercantes], bem com os shudras [trabalhadores] -, podem se aproximar do destino supremo”. Uma comparação interessante, porque a mulher é equiparada a uma “trabalhadora para o prazer”, dos mundanos, ou a um “instrumento” de inferioridade, ou mesmo apenas como uma “reprodutora”.

Mas provavelmente o mais notável embroma sobre a mulher, como parte de atração demoníaca, é dado como explicação por Prabhupada no comentário, segundo o que ele acha, do verso 16.7, “... no Manu-samhita é citado claramente que uma mulher não deve ser deixada livre. Isso não significa que as mulheres devam ser mantidas como escravas, mas elas são como crianças. E as crianças não podem ser livres, mas isso não significa que devam ser escravas. Os demônios têm agora negligenciado tais injunções, e eles pensam que as mulheres devem ser dadas livremente para os homens... a condição moral da mulher não é muito boa agora”. Interessante esta relação entre “demônios” e “mulheres”, e o fato de eles terem domínio sobre a vontade delas. Apesar de Sri Krishna ter liberado Arjuna da tradição do Manusmriti (verso 18.66 do Gita), o texto é citado como referência para manter as mulheres sob jugo masculino. Mas quem são demônios? Claro que, segundo a visão sectária, todos que não pertençam a seita fundada por ele. Talvez aquela seja a razão pela qual as mulheres devem ser tolhidas em sua liberdade, tal qual fazem os islâmicos fundamentalistas com as mulheres, colocando-as 8 passos à frente de si mesmos (antes era atrás), porque podem haver “bombas no caminho”.

Conclusão
Há muitas outras citações, bem como exemplos notáveis da influência islâmica no movimento fundado pelo Abhay Charan, que vão além do maltrato para com as mulheres, ou para com o desprezo para uma vida, considerada por ele como sendo inútil e desnecessária. Contudo, o mais notável fracasso que a seita alcançou, posteriormente a morte do fundador, é o melhor dos exemplos sobre sectarismo mal administrado. Uma confusão que pretensos sucessores, mudanças do foco e das formas do padrão estabelecido previamente, e escândalos após escândalos acabou, por fim, forçando que os membros assumissem tratarem-se de uma religião, e não de uma seita ou culto, como fora classificado pelo Governo Norte-Americano. Contudo, não são estes os aspectos que nos interessa enfocar, até mesmo qualquer um poderá livremente pesquisar na infinidade de informações disponíveis sobre os desvios e escândalos existentes dentro dos que se colocaram como legítimos sucessores do fundador. 

O aspecto de se classificarem como ‘hindus’, mesmo tendo tantas vezes declarado expressamente que não são por Prabhupada, é que molesta a comunidade Vaidika indiana e do mundo. Nos é perfeitamente compreensível que, na hora da manutenção de um interesse, alguém possa recorrer a um recurso ao qual era contrário para poder proteger o pouco que sobrou de algo. Mas o que colocamos é como justificar o fato de o fundador de uma seita afirmar algo de forma enfática e os seus seguidores dizerem que não é? Duas coisas daí depreende-se: ou não leram ou não querem saber de ler do que o fundador disse e firmou como verdade indelével, porque havia dito: “eu viverei em meus livros para sempre...”, ou então já estão diante de uma nova seita a qual é mero arremedo do que fora no passado. O leitor saberá optar, quem sabe, até mesmo pelos dois aspectos.

Poucos são os locais que podem divulgar os fatos reais e impressões verdadeiras sobre o que realmente acontece por detrás de uma ideologia, que distorce os conteúdos, desinforma as pessoas, e as torna escravas de ideias. Assim esperamos que este texto tenha de algum modo contribuído para ajudar os buscadores da verdade a compreender os fatos ocultos por detrás da falsa máscara da verdade.

Hari om tat sat

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fontes
- site Betrayal of the Spirit - Nori Muster
- Conversação completa de Prabhupada sobre o Sânscrito 
 - The Science of Self Realization
- Livros em espanhol sobre os temas tratados